A dialética da dualidade oprimido e opressor

Uma Crítica à Superficialidade Maniqueísta

  • Marcelo Henrique Antunes do Amaral Faculdade Ielusc
  • Luiz Gustavo dos Anjos Gallas Faculdade Ielusc

Resumo

Através da releitura de perspectivas latino-americanas e europeias, o presente artigo procura estimular a dialética da dualidade entre opressor e oprimido, mostrando que há inúmeras camadas de interpretação sobre a problemática. Dessa forma, a intenção do trabalho explora a possibilidade de uma fuga ao maniqueísmo
que assombra o imaginário social. A crítica é direcionada ao essencialismo latino-americano que reforça a inércia de posições entre o opressor – que pode impor todos os tipos de violência sobre o outro – e o oprimido – que recebe toda a carga agressiva daquele que o ataca. A visão deste trabalho dialoga com a hipótese
de uma inversão de papéis entre as duas frentes, a função de um não inibe a do outro. A seguinte análise embarca na perspectiva de autores que, apesar de não terem essa dialética como foco de estudo, contribuíram para a discussão, entre eles: Sigmund Freud, Pierre Bourdieu e Paulo Freire. Freire defende que “quando
a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. Para o educador é concreta a troca dos dois sentidos: assumir-se como vítima, mas, também, como violentador. A ambiguidade pode ser explicada por Freud. O psicanalista traz à tona o conceito do ‘’infamiliar”, onde tudo aquilo que se demonstra ao sujeito
como inquietante, assustador, estranho ou até “bárbaro”, é, ao mesmo tempo, algo inconsciente e intrinsecamente familiar. Tais práticas são enxergadas por Bourdieu, que delega a instrumentos teóricos a operacionalização da permuta de significado entre oprimido e opressor, como a ideia de violência simbólica: uma forma de agressão que não é física, mas provoca danos morais e psicológicos.

Publicado
2022-11-27
Como Citar
AMARAL, Marcelo Henrique Antunes do; DOS ANJOS GALLAS, Luiz Gustavo. A dialética da dualidade oprimido e opressor. Redes - Revista Interdisciplinar do IELUSC, [S.l.], v. 5, n. 1, p. 11-24, nov. 2022. ISSN 2595-4423. Disponível em: <http://revistaredes.ielusc.br/index.php/revistaredes/article/view/145>. Acesso em: 17 abr. 2024.